terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Experiência Interiorana

Morei durante muitos anos em uma cidade do interior. Um hábito comum por lá é andar de moto de forma banal, sem destino, apenas vagar pela cidade. Eu não entendia isso até estar estupidamente excitada na garupa de uma Biz a 60 por hora. Com um rapaz pilotando, o medo de cair era inerente à situação, as ruas eram íngremes e escorregadias e eu não podia deixar de me preocupar com isso, mas decidi confiar no meu piloto.
         Éramos seis em três motos, uma tinha problemas e desligava sozinha às vezes, a minha parou logo no início, mas retomamos a “corrida” para aliviar o tédio. Quando finalmente deixei de lado que o que estávamos fazendo poderia parecer estúpido, me dei conta de que não podia ser inconsequente sozinha e que precisava de alguém para me ajudar a, em alguns momentos, ser um pouco menos prudente. Com a garota que eu estava a fim na moto da frente, desejei alcançá-la. Obviamente queria estar na garupa da moto com ela, sentindo o cheiro de perto e vendo o pescoço que meus lábios não hesitariam em percorrer, sua presença por si só me deixava profundamente alterada.

         Eu e meu parceiro assumimos a liderança do grupo e eu me senti bem, muito bem, a excitação percorreu minhas veias e a adrenalina aqueceu meu corpo. Lembrei-me de Charlie, de que éramos infinitos e, no limiar da minha vida adulta, experimentei a imprudência de ser adolescente enquanto as pessoas falavam abertamente do quanto éramos estabanados ou qualquer outro adjetivo ao qual não fiz questão de prestar atenção. Só senti a moto vibrar sob mim, o vento no meu rosto e a euforia no meu corpo.