Morei durante muitos
anos em uma cidade do interior. Um hábito comum por lá é andar de moto de forma
banal, sem destino, apenas vagar pela cidade. Eu não entendia isso até estar
estupidamente excitada na garupa de uma Biz a 60 por hora. Com um rapaz
pilotando, o medo de cair era inerente à situação, as ruas eram íngremes e
escorregadias e eu não podia deixar de me preocupar com isso, mas decidi
confiar no meu piloto.
Éramos
seis em três motos, uma tinha problemas e desligava sozinha às vezes, a minha
parou logo no início, mas retomamos a “corrida” para aliviar o tédio. Quando
finalmente deixei de lado que o que estávamos fazendo poderia parecer estúpido,
me dei conta de que não podia ser inconsequente sozinha e que precisava de alguém
para me ajudar a, em alguns momentos, ser um pouco menos prudente. Com a garota
que eu estava a fim na moto da frente, desejei alcançá-la. Obviamente queria
estar na garupa da moto com ela, sentindo o cheiro de perto e vendo o pescoço
que meus lábios não hesitariam em percorrer, sua presença por si só me deixava
profundamente alterada.
Eu
e meu parceiro assumimos a liderança do grupo e eu me senti bem, muito bem, a
excitação percorreu minhas veias e a adrenalina aqueceu meu corpo. Lembrei-me
de Charlie, de que éramos infinitos e, no limiar da minha vida adulta,
experimentei a imprudência de ser adolescente enquanto as pessoas falavam
abertamente do quanto éramos estabanados ou qualquer outro adjetivo ao qual não
fiz questão de prestar atenção. Só senti a moto vibrar sob mim, o vento no meu
rosto e a euforia no meu corpo.