Eu sinto a falta dela. Quando respiro um perfume na rua que me lembra ela, prendo a respiração sem saber como expelir aquilo. Sem saber como fazer meu coração entrar num compasso novamente. Encontrei alguns hematomas pelo corpo, minhas veias estão translúcidas, da transparência do meu sangue fraco.
Há sete dias me arrasto pelos cantos. Há sete dias não vejo o brilho dos seus olhos ou sinto o gosto da sua boca. Na verdade, não sinto sabor nenhum. Há sete dias não me apaixono. Há cerca de sete dias não coloco uma gota de álcool na boca ou tomo uma decisão radical. Ela odiava minhas decisões radicais, odeia. Há sete dias meu corpo não vê cafeína e nos sonhos, uma estranha me visita nas circunstâncias mais inadequadas. Há sete dias não sou posse. Na verdade nunca fui posse.
Há sete dias sinto a falta dela. Há sete dias a água que cai do chuveiro é mais fria porque a lembrança do corpo dela não é mais presente para me aquecer. Há sete dias a minha cama é mais espaçosa. Há cerca de sete dias meus desejos se esvaíram. Não por ela. Há sete dias não sei o que ouvir em droga de playlist nenhuma.
Há sete dias tenho raiva dela, tenho asco, tenho refletido se não exagerei. Há sete dias o horóscopo disse que eu tomava a melhor decisão. Há sete dias eu escrevi uma carta que a tomou de mim. Mas percebo que se foi tomada, nunca foi minha. Não foram os sete dias produtivos? Há sete dias não relato o cotidiano tedioso da minha vida a ela. Não me reporto e não compartilho. Há sete dias estou só.
Não escrevo poesia, o título foi só um trocadilho legal que eu achei, mas pode procurar os versos brancos dentro da minha prosa. Aviso logo que este blog abriga conteúdo sentimental intenso, então esteja em dia com o seu cardiologista antes de lê-lo. Aviso também que sou apenas responsável por aquilo que escrevo, interprete como lhe convier. Quando crescer quero ser uma raposa, por hora sou apenas uma menina.
quinta-feira, 23 de março de 2017
terça-feira, 21 de março de 2017
Espaço Vazio
Hoje foi um desses dias atípicos, mais amarelado que o normal, com o
pôr-do-sol mais brando, preguiçoso. Estava viajando, olhei pela janela do carro
e pela paisagem, em determinados pontos, havia um espaço vazio. Onde havia
aquela construção agora não há nada, tudo tinha ido abaixo. Respirei fundo.
Continuei a olhar, ela não andaria comigo mais por aquelas ruas, ruas essas que
outro dia eu tinha percorrido justamente no intento de encontrá-la. Não o faria
novamente.
Passei em frente ao cinema, o mesmo cinema onde, mesmo com os amigos dela,
lá no escurinho, ela segurou minha mão. Eu não fiquei chateada por ela não ter
falado que eu era dela, mas admirei a atitude. As mãos, não as seguraria mais.
Relembrei tudo novamente e de novo até os olhos estarem afogados e fingi só
uma irritação para poder limpá-los.
Lembrei dos presentes e do hematoma que eu tinha conseguido bem no nó do
mindinho, eu estava furiosa, eu vivia furiosa, mas ela sempre me acalmava de
algum jeito. Eu não teria mais calmaria.
Voltei de viagem, todo o local parecia preenchido. Justamente onde eu
deveria estar havia uma lacuna e nesse intento percebi que a gente vê as coisas
de dentro para fora ao projetar nelas o que há dentro de nós. O lugar estava
vazio.
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