Hoje foi um desses dias atípicos, mais amarelado que o normal, com o
pôr-do-sol mais brando, preguiçoso. Estava viajando, olhei pela janela do carro
e pela paisagem, em determinados pontos, havia um espaço vazio. Onde havia
aquela construção agora não há nada, tudo tinha ido abaixo. Respirei fundo.
Continuei a olhar, ela não andaria comigo mais por aquelas ruas, ruas essas que
outro dia eu tinha percorrido justamente no intento de encontrá-la. Não o faria
novamente.
Passei em frente ao cinema, o mesmo cinema onde, mesmo com os amigos dela,
lá no escurinho, ela segurou minha mão. Eu não fiquei chateada por ela não ter
falado que eu era dela, mas admirei a atitude. As mãos, não as seguraria mais.
Relembrei tudo novamente e de novo até os olhos estarem afogados e fingi só
uma irritação para poder limpá-los.
Lembrei dos presentes e do hematoma que eu tinha conseguido bem no nó do
mindinho, eu estava furiosa, eu vivia furiosa, mas ela sempre me acalmava de
algum jeito. Eu não teria mais calmaria.
Voltei de viagem, todo o local parecia preenchido. Justamente onde eu
deveria estar havia uma lacuna e nesse intento percebi que a gente vê as coisas
de dentro para fora ao projetar nelas o que há dentro de nós. O lugar estava
vazio.
Nenhum comentário:
Postar um comentário