Não escrevo poesia, o título foi só um trocadilho legal que eu achei, mas pode procurar os versos brancos dentro da minha prosa. Aviso logo que este blog abriga conteúdo sentimental intenso, então esteja em dia com o seu cardiologista antes de lê-lo. Aviso também que sou apenas responsável por aquilo que escrevo, interprete como lhe convier. Quando crescer quero ser uma raposa, por hora sou apenas uma menina.
terça-feira, 1 de julho de 2014
Banho frio
Disse que estava com frio e ela
perguntou se eu estava doente. “Só se for de amor”, respondi e ela começou a
rir. Riu um riso louco, tão desvairado que achei que ela fosse entrar em
colapso. Parecia que eu tinha passado a noite inteira chorando, meus olhos
ardiam enquanto ela media minha temperatura e me convidava para um banho frio.
(Marvolo Debram)
Abismo do meu medo
Uma senhora
me parou, agradeceu a gentileza que eu fiz e perguntou como poderia retribuir.
Disse para, a cada caso mau que visse, orasse pela vítima do acometido. Ela
disse que o faria por mim, sorri e respondi que minha alma já estava perdida, sentei-me
para lavar os pés nas águas do abismo do meu medo.
Menina
bonita, estive o dia inteiro fora e não é indiferença, não. Tivemos algo tão
bonito, vê que meus olhos se enchem ao lembrar, esses olhos sensíveis e
defeituosos que vêem ainda menos na noite. Mas na noite de seus olhos
transparecia. Vê que não lhe tiro da cabeça.
Meu bem, levei três pontos no
coração, mas não se preocupe, me recupero bem. O doutor me recomendou uns
analgésicos, uns antitérmicos, mas nada demais, disse que em uma semana ou duas
os pontos sairão sozinhos.
Outro
dia me perguntaram quem eu era, apenas ri e me esquivei da pergunta. Eles não
acreditariam se falasse, achariam que sou estranha, que vivo num mundo paralelo
dentro de outra dimensão. Então diriam que não achariam nada, até que eu
falasse. Eles. Eles dizem para não me importar com os outros, e quando faço isso dizem que sou egoísta. Ai,
eles me cansam.
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