terça-feira, 1 de julho de 2014

Abismo do meu medo

          Uma senhora me parou, agradeceu a gentileza que eu fiz e perguntou como poderia retribuir. Disse para, a cada caso mau que visse, orasse pela vítima do acometido. Ela disse que o faria por mim, sorri e respondi que minha alma já estava perdida, sentei-me para lavar os pés nas águas do abismo do meu medo.
         Menina bonita, estive o dia inteiro fora e não é indiferença, não. Tivemos algo tão bonito, vê que meus olhos se enchem ao lembrar, esses olhos sensíveis e defeituosos que vêem ainda menos na noite. Mas na noite de seus olhos transparecia. Vê que não lhe tiro da cabeça.
               Meu bem, levei três pontos no coração, mas não se preocupe, me recupero bem. O doutor me recomendou uns analgésicos, uns antitérmicos, mas nada demais, disse que em uma semana ou duas os pontos sairão sozinhos.
 

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