Milena tinha 18
anos, cursava psicologia e alimentava um desejo que pelo menos metade das
pessoas com a idade dela também tem: cair no mundo sem rumo. Ela dizia que a
faculdade a estava deixando louca, mas não sabia o que fazer, então continuava
lá, enlouquecendo. Sua mãe não apoiava a tal viagem de autoconhecimento que ela
propunha e quase nunca ouvia.
Milena se viu
presa num mundo cheio de absurdos, era sensível, se envolvia demais com as
coisas e morria um pouco a cada traição que percebia – por parte de quem quer
que fosse, estava desacreditada.
Depois de três
meses, ela tirou a carteira de habilitação e decidiu pôr seu plano em prática,
trancou a faculdade, arrumou a mala e deu o fora no meio da noite com o carro
do pai, deixou o celular e um bilhete para a mãe.
-- Milena está
louca, Arnaldo, inventava essas ideias de ir-se embora, veja se tem cabimento.
– Ela imaginava sua mãe falando. – Deve ter sido essa faculdade, essas
companhias, eu avisei, Arnaldo, eu avisei.
-- Deixe de
tolice, Helena, nossa filha já é crescida e anda com as próprias pernas, se
disse que estará bem, ela estará, agora durma.
-- Mas
Arnaldo...
-- Além disso,
ela já é maior de idade, agora durma.
Na saída da
cidade pegou o caminho esquerdo, levou a playlist
preferida e ia vendo como a cidade era bonita à noite com todos aqueles
desenhos que as luzes produziam nos prédios e na rua. Milena sempre preferira a
noite e por algum motivo detestava o pôr do sol.
Dirigiu por uns
trezentos quilômetros e parou para ver o sol nascer, depois ia arrumar um mapa
e conhecer o que lhe desse na telha. Iria encontrar um velho sábio em cada
parada, apaixonar-se por um estrangeiro, ter o coração partido, cantar para as
estrelas, dançar na chuva, curar-se, chorar de saudades, escrever o primeiro
diário e se descobriria, saberia o que fazer quando voltasse.
A sós com ela
mesma, Milena nunca se sentiu tão bem acompanhada.
Adorei!!
ResponderExcluirMe identifiquei com a história kk