Carlos Magno era um
rapaz cheio de incertezas, magrelo, destemperado, tímido e sensato. Nunca se
sentia bem em lugar nenhum, com ninguém. A impressão que tinha era a de estar
vivendo uma vida que não era dele, como quando a gente usa roupa emprestada e simplesmente
se sente mal. Adorava os desenhos do Millôr e queria ser escritor quando
crescesse. Completou seus 18 anos e não sabia o que fazer da vida, não era
aquele curso o seu, nem aquela retórica toda, os trejeitos, os poemas
desajeitados. Adquiriu, pela angústia, alguns vícios e percebeu que estes
realmente eram dele. Entrava e saia das vidas das pessoas como quem entra e sai
do supermercado errado porque não tinha o que buscava ou porque se enganou com
o endereço. Trazia um violão velho e desafinado, mas o tocava com esmero,
percebia a vida passar a cada cinco minutos que demorava para tragar um cigarro
e, sem mais nem menos ia embora como quem se esgota do ambiente, de não estar
em casa, de nunca se sentir confortável com nada. Percebe então que sua casa é
aonde seus pés tocam. E só. Aquilo o que está a sabe-se-lá quantos quilômetros
não é seu, tampouco é outro possuidor de seu carisma e de sua escrita frouxa. Sua
mãe lhe dera o nome por causa do imperador, mas Magno não era assim tão grande,
era medíocre até, bem comum.
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