Não escrevo poesia, o título foi só um trocadilho legal que eu achei, mas pode procurar os versos brancos dentro da minha prosa. Aviso logo que este blog abriga conteúdo sentimental intenso, então esteja em dia com o seu cardiologista antes de lê-lo. Aviso também que sou apenas responsável por aquilo que escrevo, interprete como lhe convier. Quando crescer quero ser uma raposa, por hora sou apenas uma menina.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
Metade de um batom
Lembra daquele batom que você esqueceu no meu apartamento na segunda gaveta da cômoda à esquerda? Não via mais utilidade, o usei para escrever todas aquelas atrocidades e não vou me desculpar. Devia ter deixado a maquiagem inteira, pintaria melhor sua porta e seu caminho. Quando o encontrei, depois de uma ou duas semanas, quase não acreditei. Ele me revelava, da maneira mais traiçoeira, o seu cheiro, me olhava com seus olhos pretos e sussurrava coisas que eu não entendia com a sua voz. Não fiz questão de aparar a torrente que se sucedeu. Metade do teu batom vermelho estava nas minhas mãos. Lembrei das vezes em que você o passou e meus olhos se encantaram por aquela cena e, disfarçadamente se estendiam até seus lábios. Você limpava os excessos, deixava uma marca no meu colarinho, pintava com os seus os meus lábios e eu ria e dizia que aquilo realçava meus olhos, você ria e o carmin que emoldurava seu sorriso atiçava e prendia meus olhos, minhas mãos tremiam e eu as escondia nos bolsos, dizia que era charme e você gostava.
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