quarta-feira, 11 de março de 2015

Pessoas

É difícil fazer as coisas sozinha, é complicado não ter talento para fazer tudo o que esperam que se faça, é massante, realmente massante não conseguir abandonar certas coisas. As coisas, todas elas, são feitas por pessoas, todos os seus defeitos e imperfeições e sua satisfação estampados em cada uma das letras que escrevem lá pelas linhas do destino.
      Como os estranhos aos quais eu dou vida, a Garota do 702, a outra da papelaria, a de óculos escuros e tantas outras que me cruzam o caminho. E por mais estranho que se pareça, eu gosto deles enquanto eles são apenas estranhos. A falta de proximidade me torna legítima possuidora das vidas que eu crio para cada um deles e por aí vou me perdendo na beleza alheia que eu encontro, nas cicatrizes que lhes faço, nos beijos, nos sorrisos, nos colos morenos, macios, nos lábios aveludados de todos os tons. E que seja possessivo, que lhe pareça.

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