Meu sobrinho
tava aqui em casa. Eu tava cheia de tarefa, verificando coisa nas redes
sociais, no computador, tentando analisar a viabilidade de um ensaio, tentando
ouvir as notícias nacionais pelo rádio e as locais pela TV enquanto meus pais
as discutiam. Não estava fácil.
Até que, por
algum motivo, a tampa da mamadeira emperrou – alguém deve ter apertado com
força demais e aquilo simplesmente não saía. O bebê começou a chorar, minha mãe
me chamou, começou a falar mais alto e mais rápido. “Meu Deus”, pensei. “Quem
raios apertou isso assim?” E o bebê não parava de chorar e minha mãe não
parava de falar. Tentei andar mais rápido.
Numa medida
desesperada, arrumei outra mamadeira e abri a primeira, espirrou leite pra todo
lado. “Em mim inclusive.” Transferi
um pouco do conteúdo da primeira para a segunda mamadeira e, como numa corrida de
revezamento, passei-a heroicamente para as mãos da minha mãe, que tinha o miúdo
no colo. Assim que sentiu o leite, ele se acalmou e todo mundo se acalmou
junto.
Olhei em
volta, tinha leite no chão, no chinelo, na mesa, na pia e na minha mãe. Um a
um, fui recolhendo os destroços pela casa. Ainda sem conseguir arrumar a tampa
da primeira mamadeira.
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