sexta-feira, 18 de março de 2016

O bebê

Meu sobrinho tava aqui em casa. Eu tava cheia de tarefa, verificando coisa nas redes sociais, no computador, tentando analisar a viabilidade de um ensaio, tentando ouvir as notícias nacionais pelo rádio e as locais pela TV enquanto meus pais as discutiam. Não estava fácil.
Até que, por algum motivo, a tampa da mamadeira emperrou – alguém deve ter apertado com força demais e aquilo simplesmente não saía. O bebê começou a chorar, minha mãe me chamou, começou a falar mais alto e mais rápido. “Meu Deus”, pensei. “Quem raios apertou isso assim?” E o bebê não parava de chorar e minha mãe não parava de falar. Tentei andar mais rápido.
Numa medida desesperada, arrumei outra mamadeira e abri a primeira, espirrou leite pra todo lado. “Em mim inclusive.” Transferi um pouco do conteúdo da primeira para a segunda mamadeira e, como numa corrida de revezamento, passei-a heroicamente para as mãos da minha mãe, que tinha o miúdo no colo. Assim que sentiu o leite, ele se acalmou e todo mundo se acalmou junto.

Olhei em volta, tinha leite no chão, no chinelo, na mesa, na pia e na minha mãe. Um a um, fui recolhendo os destroços pela casa. Ainda sem conseguir arrumar a tampa da primeira mamadeira. 

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