Estou suando em pleno verão, sentada numa cadeira de praia no meio da minha cozinha. Meu café esfriou demais e eu fito as paredes procurando o que dizer, o que sentir. Primeiro eu me apaixonei pelo vincozinho que ela tem e liga o septo ao lábio superior, depois me apaixonei pelas formas como ela me seduzia, depois pela maneira de relatar as histórias do seu cotidiano a mim. Ter uma cadeira de praia na cozinha dá inspiração suficiente. Eu poderia até fumar um cigarro, mas não sou adepta a essa modalidade de embriaguez. Estava até lembrando das músicas da Amy Winehouse quando pensei “que bad” e prossegui lavando a louça do jantar. O lugar dela na mesa estava vazio, o prato dela não estava mais lá. Nem os talheres e a xícara. Olhei em volta e ela não estava mais lá. Eu preciso dizer que me apaixonei pelos olhos e pelo sorriso assim quando sorria pra mim e quando eu era causa daquele movimento súbito dos lábios que me beijavam a boca e dos dentes que me mordiam nos lugares mais inapropriados. Era o jeito dela de dizer que eu era sua e eu adorava. Eu a adorei enquanto ela morava em mim e nos dias em que alugou só um quarto, ficou alguns dias e foi embora. Quando voltou eu ainda a adorava e o quarto vivia arrumado da mesma maneira que ela havia deixado. Esses dias ela pediu as contas, disse que era hora, foi-se embora assim. Eu também estava cansada, deixei-a ir. Desarrumei o quarto inteiro, de cima a baixo, não deixei um grão de poeira que era dela. Coloquei o café na xícara e ele esfriou. Não à toa repouso nessa cadeira. Quando se fracassa se faz coisas que nem se pode explicar. Mas eu não fracassei. Eu lutei dia após dia, não foi suficiente. Cruzo as pernas e me embebo num ar blasé enquanto seguro meu café frio e meu cigarro imaginário entre os dedos. As tragadas que sopram meus pulmões não são assim intensas como o vidro de perfume que ela deixou pra trás, então não me dou ao trabalho de fumar, mas respiro. Respiro profundamente enquanto repouso na cadeira de praia da minha cozinha e as músicas da Amy ressoam ao fundo.
Não escrevo poesia, o título foi só um trocadilho legal que eu achei, mas pode procurar os versos brancos dentro da minha prosa. Aviso logo que este blog abriga conteúdo sentimental intenso, então esteja em dia com o seu cardiologista antes de lê-lo. Aviso também que sou apenas responsável por aquilo que escrevo, interprete como lhe convier. Quando crescer quero ser uma raposa, por hora sou apenas uma menina.
domingo, 12 de fevereiro de 2017
sábado, 4 de fevereiro de 2017
Três perfumes
O cheiro entra nas minhas narinas e a sua imagem vem à minha cabeça. E o seu corpo passeia pelas minhas mãos. As ondas dos seus cabelos serpenteiam no ar. E eu sinto seus braços em volta do meu corpo. Eu sinto a força do seu corpo sobre o meu, sob o meu, dos meus lados, eu sinto. Eu sinto as fantasias serpentearem pelas linhas da sua nuca e viajarem pelos seus lábios até acabarem repuxados nas linhas dos meus. Eu sinto seu tamanho no meu, quase equivalente.
O cheiro entra nas minhas narinas e a sua imagem vem à minha cabeça. E o seu corpo envolve o meu. A lisura dos seus cabelos cai por entre os meus dedos, que o agarram como quem, tomado de fome, devora. E eu sinto minhas mãos sentirem sua pele. Eu sinto o peso da sua altura, das marcas do seu corpo, eu sinto seu corpo se remexer na minha boca. Eu sinto seu cheiro descer por entre minhas pernas e arrepio. Eu sinto a pressão do seu desejo sob mim.
O cheiro entra nas minhas narinas e a sua imagem vem à minha cabeça. E o seu corpo aquece o meu, o incendeia. A longura dos seus cabelos se enrolam nos meus dedos e a boca se entreabre. Eu sinto suas unhas rasgarem minha pele, seus dentes marcarem meu corpo. Eu sinto a pele das palmas da sua mão nas minhas. Eu sinto seu corpo sob, sobre, dentro de mim. Eu sinto seu corpo transcender o meu. Eu sinto as linhas do seu maxilar nas curvas dos meus lábios e o frescor do seu gosto na minha boca.
O cheiro entra nas minhas narinas e eu sinto o sabor da perfídia. Minhas roupas vivem sujas de cheiros que não são meus. Meu corpo vive sujo de mãos que não são minhas. Meu amor seca ao se deparar com cada alma vazia que se enche de carne. Cada alma vazia cheia de lascívia se enche ao se deparar com meu amor. Cada unha que tira de mim a pele se enche do que não é meu, mas do que ela projeta em mim. Cada fantasia me consome vagarosamente como o cigarro que ela traga depois de me usar. Como a risada que ela dá depois de me usar. Como o amor que ela me dá enquanto me usa.
O cheiro entra nas minhas narinas e a sua imagem vem à minha cabeça. E o seu corpo envolve o meu. A lisura dos seus cabelos cai por entre os meus dedos, que o agarram como quem, tomado de fome, devora. E eu sinto minhas mãos sentirem sua pele. Eu sinto o peso da sua altura, das marcas do seu corpo, eu sinto seu corpo se remexer na minha boca. Eu sinto seu cheiro descer por entre minhas pernas e arrepio. Eu sinto a pressão do seu desejo sob mim.
O cheiro entra nas minhas narinas e a sua imagem vem à minha cabeça. E o seu corpo aquece o meu, o incendeia. A longura dos seus cabelos se enrolam nos meus dedos e a boca se entreabre. Eu sinto suas unhas rasgarem minha pele, seus dentes marcarem meu corpo. Eu sinto a pele das palmas da sua mão nas minhas. Eu sinto seu corpo sob, sobre, dentro de mim. Eu sinto seu corpo transcender o meu. Eu sinto as linhas do seu maxilar nas curvas dos meus lábios e o frescor do seu gosto na minha boca.
O cheiro entra nas minhas narinas e eu sinto o sabor da perfídia. Minhas roupas vivem sujas de cheiros que não são meus. Meu corpo vive sujo de mãos que não são minhas. Meu amor seca ao se deparar com cada alma vazia que se enche de carne. Cada alma vazia cheia de lascívia se enche ao se deparar com meu amor. Cada unha que tira de mim a pele se enche do que não é meu, mas do que ela projeta em mim. Cada fantasia me consome vagarosamente como o cigarro que ela traga depois de me usar. Como a risada que ela dá depois de me usar. Como o amor que ela me dá enquanto me usa.
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