O cheiro entra nas minhas narinas e a sua imagem vem à minha cabeça. E o seu corpo passeia pelas minhas mãos. As ondas dos seus cabelos serpenteiam no ar. E eu sinto seus braços em volta do meu corpo. Eu sinto a força do seu corpo sobre o meu, sob o meu, dos meus lados, eu sinto. Eu sinto as fantasias serpentearem pelas linhas da sua nuca e viajarem pelos seus lábios até acabarem repuxados nas linhas dos meus. Eu sinto seu tamanho no meu, quase equivalente.
O cheiro entra nas minhas narinas e a sua imagem vem à minha cabeça. E o seu corpo envolve o meu. A lisura dos seus cabelos cai por entre os meus dedos, que o agarram como quem, tomado de fome, devora. E eu sinto minhas mãos sentirem sua pele. Eu sinto o peso da sua altura, das marcas do seu corpo, eu sinto seu corpo se remexer na minha boca. Eu sinto seu cheiro descer por entre minhas pernas e arrepio. Eu sinto a pressão do seu desejo sob mim.
O cheiro entra nas minhas narinas e a sua imagem vem à minha cabeça. E o seu corpo aquece o meu, o incendeia. A longura dos seus cabelos se enrolam nos meus dedos e a boca se entreabre. Eu sinto suas unhas rasgarem minha pele, seus dentes marcarem meu corpo. Eu sinto a pele das palmas da sua mão nas minhas. Eu sinto seu corpo sob, sobre, dentro de mim. Eu sinto seu corpo transcender o meu. Eu sinto as linhas do seu maxilar nas curvas dos meus lábios e o frescor do seu gosto na minha boca.
O cheiro entra nas minhas narinas e eu sinto o sabor da perfídia. Minhas roupas vivem sujas de cheiros que não são meus. Meu corpo vive sujo de mãos que não são minhas. Meu amor seca ao se deparar com cada alma vazia que se enche de carne. Cada alma vazia cheia de lascívia se enche ao se deparar com meu amor. Cada unha que tira de mim a pele se enche do que não é meu, mas do que ela projeta em mim. Cada fantasia me consome vagarosamente como o cigarro que ela traga depois de me usar. Como a risada que ela dá depois de me usar. Como o amor que ela me dá enquanto me usa.
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