quinta-feira, 29 de junho de 2017

Sensações

Já se sentiu como um jovem deus? Como se o poder estivesse a fluir de dentro para fora, das pontas dos dedos para as folhas das árvores, das solas dos pés para o chão. E depois, num ato retributo, o caminho reverso fosse feito. Quando o sangue das árvores começa a correr nas suas veias e a fusão é una. Já sentiu como se quisesse dominar e conhecer a si próprio? Conhece-te. Mas, digo, não será possível conhecer ao outro. E quando pensares que te comunicas, tudo se torna cinza. Quando pensares que as coisas vão bem, pois, vão, ou diga que não. Mas quem não conhece a si nunca terá a chance de tentar conhecer ao outro.

A primeira questão é se permitir, a segunda, o tato. Não tocas na pele sensível com garras ou mãos de ferro, não tocas na garganta com presas, ou matas. Não tocas os seios sem delicadeza pois a pele reconhece o toque e às vezes ele arde. A pele também reconhece a terra que dorme debaixo das solas dos pés e nas pontas dos dedos.

O corpo apreende como um canal, um punhado de carne e estrutura óssea que serve a um propósito maior, a fingir que abriga a gama de emoções que cabem num único órgão, tão miúdo quanto um punho fechado. O corpo que se fecha nas sensações mais primordiais de necessidade, de precisão. Do paladar que se descobre ao apreender os sabores de outro corpo. De se privar de todas as sensações e enlouquecer.

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