Nos primeiros dias eu me permitia mergulhar sem medo, meus pés ainda
tocavam o fundo e minha cabeça estava suficientemente acima da água para
que eu pudesse respirar tranquilamente. À medida em que o tempo se
passou então eu me permiti nadar
em águas mais profundas e fui aos poucos descobrindo que eu conseguia
me manter, eu estava me descobrindo ali também. Mas em certo momento
minhas pernas começaram a falhar, meus músculos já não respondiam e eu
já não conseguia respirar com a mesma agilidade.
A água começou a invadir meu corpo, minhas narinas começaram a arder e
meus pulmões se comprimiam com a pressão. Eu não conseguia mais voltar à
superfície, foi aí que eu comecei a afundar, foi assim que eu descobri
qual era a sensação de me afogar. Eu nunca
fui exímia nadadora, e ela era o mar inteiro. Havia dias em que a
tormenta tomava conta daquele mar e eu naufragava, e nadava sofregamente
pronta a me agarrar a qualquer destroço que fosse. Não havia destroços,
não havia nada que pudesse me tirar dali além
dela, mas quando reparei de novo, ela não estava mais lá. Foi assim que
eu percebi que amar é poder nadar nas águas do outro sem se afogar
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