segunda-feira, 1 de maio de 2017

Naufrágio

Nos primeiros dias eu me permitia mergulhar sem medo, meus pés ainda tocavam o fundo e minha cabeça estava suficientemente acima da água para que eu pudesse respirar tranquilamente. À medida em que o tempo se passou então eu me permiti nadar em águas mais profundas e fui aos poucos descobrindo que eu conseguia me manter,  eu estava me descobrindo ali também. Mas em certo momento minhas pernas começaram a falhar, meus músculos já não respondiam e eu já não conseguia respirar com a mesma agilidade. A água começou a invadir meu corpo, minhas narinas começaram a arder e meus pulmões se comprimiam com a pressão. Eu não conseguia mais voltar à superfície,  foi aí que eu comecei a afundar, foi assim que eu descobri qual era a sensação de me afogar. Eu nunca fui exímia nadadora, e ela era o mar inteiro.  Havia dias em que a tormenta tomava conta daquele mar e eu naufragava, e nadava sofregamente pronta a me agarrar a qualquer destroço que fosse. Não havia destroços,  não havia nada que pudesse me tirar dali além dela, mas quando reparei de novo, ela não estava mais lá. Foi assim que eu percebi que amar é poder nadar nas águas do outro sem se afogar

Nenhum comentário:

Postar um comentário