Minha pele sempre queima. Meus olhos tateiam, míopes, pela
escuridão da sua ausência. Você nunca está aqui, mas sempre está. Eu tateio o
desespero que se desenha ávido nas minhas escápulas e se instala nos meus
pulmões. Eu vejo pelo espaldar das cadeiras nas quais me recosto.
Por que,
naquele dia, você me olhou de volta? Por que deixou que seus olhos resvalassem
nos meus e por que me quis por perto? Eu queimo, toda vez eu queimo e ardo pela
secura do desejo, da luxúria e da lascívia que me consome. E quanto mais penso,
mais combustível há. Quanto mais te procuro, quanto mais me afasto.
Eu não a
desejo como desejo a diversas, inúmeras outras. Meu desejo esse é mais intenso,
concentrado, permanente. Quando penso que ele se foi, me pego deslizando por
entre as curvas do seu sorriso e querendo deslizar por outras tantas mais
abaixo. Quando penso, queimo, embebida no combustível que vive em mim, que
jorra de mim. Toda vez que penso, queimo.
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