Eu a desejo. Esse desejo arde em mim enquanto olho
furtivamente para o espaço entre suas coxas, para as curvas que se desenham nas
partes que a roupa não cobre. Eu a desejo e esse desejo dói dentro de mim,
queima meu estômago e a sensação se assemelha àquela de quem não se alimenta há
dias. Quando os meus músculos se enrijecem e a força triplica, é pela força do
desejo que vai queimando minha carne, consumindo meus pensamentos como folhas
de papel embebidas em álcool para então pararem por entre as curvas do colo
dela, por entre o espaço que há entre a orelha e o maxilar, aparentemente
perfeito para que eu possa sorver o prazer e dá-lo a ela em dobro. Quando suas
mãos me seguram, meu corpo queima. Queima com o ardor de mil fogueiras e a
selvageria do meu instinto se manifesta me deixando sem ar. Meus olhos procuram
por ela, minhas mãos procuram por ela, minha boca procura por ela, sedenta. A
sede se aplaca com a água que escorre dela para meus lábios secos. Meu coração
martela as costelas intensamente, martela os músculos em volta, aperta meus
pulmões, que sofrem pelo ar que se torna escasso, faz meu sangue correr, voar
pelas minhas veias quentes, aumenta minha temperatura e ela, o sabor dela,
dilata minhas pupilas, relaxa a tensão do meu corpo teso e alivia o peso da
minha respiração curta, ofegante. A força que o meu corpo possui é ínfima se
comparada à força com a qual a desejo, com a qual a envolvo em meus braços. A
força lasciva que meu corpo expõe é tão pouca perto dos olhos que a devoram, da
boca que seca na intenção do desejo pelo calmo percurso do seu corpo, das mãos
que, em garras, procuram com ferocidade a quentura do seu corpo, que buscam
nele uma força equivalente que me pare, que me sacie, que me acalme.
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