segunda-feira, 23 de abril de 2018

Ardência


Eu a desejo. Esse desejo arde em mim enquanto olho furtivamente para o espaço entre suas coxas, para as curvas que se desenham nas partes que a roupa não cobre. Eu a desejo e esse desejo dói dentro de mim, queima meu estômago e a sensação se assemelha àquela de quem não se alimenta há dias. Quando os meus músculos se enrijecem e a força triplica, é pela força do desejo que vai queimando minha carne, consumindo meus pensamentos como folhas de papel embebidas em álcool para então pararem por entre as curvas do colo dela, por entre o espaço que há entre a orelha e o maxilar, aparentemente perfeito para que eu possa sorver o prazer e dá-lo a ela em dobro. Quando suas mãos me seguram, meu corpo queima. Queima com o ardor de mil fogueiras e a selvageria do meu instinto se manifesta me deixando sem ar. Meus olhos procuram por ela, minhas mãos procuram por ela, minha boca procura por ela, sedenta. A sede se aplaca com a água que escorre dela para meus lábios secos. Meu coração martela as costelas intensamente, martela os músculos em volta, aperta meus pulmões, que sofrem pelo ar que se torna escasso, faz meu sangue correr, voar pelas minhas veias quentes, aumenta minha temperatura e ela, o sabor dela, dilata minhas pupilas, relaxa a tensão do meu corpo teso e alivia o peso da minha respiração curta, ofegante. A força que o meu corpo possui é ínfima se comparada à força com a qual a desejo, com a qual a envolvo em meus braços. A força lasciva que meu corpo expõe é tão pouca perto dos olhos que a devoram, da boca que seca na intenção do desejo pelo calmo percurso do seu corpo, das mãos que, em garras, procuram com ferocidade a quentura do seu corpo, que buscam nele uma força equivalente que me pare, que me sacie, que me acalme.

Nenhum comentário:

Postar um comentário