domingo, 2 de novembro de 2014

Rodriguinho

“E aí, man?”
Virei para ver quem era e vi o Rodriguinho com um cigarrinho pendendo no canto da boca, metido numa calça de couro que sabe lá Deus como foi parar ali.
“Mas que diabo é isso agora, Rodrigo, virou bicha?”
“Que isso, man, deixa de pilha, to na mó vibe aqui. Conheci umas mina que disseram que isso era o que tava na moda agora.” – abriu a jaqueta e girou feito malandro pra eu ver a roupa inteira. Rodriguinho  falava com um sotaque afetado, puxando os esses e demorando nas vogais.
“Moda? Pra mim isso é coisa de viado e pronto, olha essas calças, pelamor, Rodrigo. Até o sotaque tu afeta.”
 “Colé irmão, ta dando uma de moralista agora? Tu nunca foi dessa.”
“Moralista não, sou macho.”
“Um puto moralista e homofóbico, é o que tu é, man.”
“Meu Deus, Rodrigo, desde quando tu é viado?”
“Relaxa aí, Brô, que o que eu faço é cultuar o amor e não o falso moralismo, deixa de treta e vem comigo que te mostro umas gatas.”
   Relutei, mas acabei indo.
“Que diabo é isso aqui, Rodrigo? Tamo no Woodstock?”
“Ah, man, bem que a gente queria, mas não tem a Janis nem o Jimmy, aí é foda, mas a gente coloca os discos, pô. Toca que é uma beleza e os cara se amarram.”
“Ai meu pai, minha vó que tava certa, esse mundo tá perdido mesmo.”


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