“E aí, man?”
Virei para
ver quem era e vi o Rodriguinho com um cigarrinho pendendo no canto da boca,
metido numa calça de couro que sabe lá Deus como foi parar ali.
“Mas que
diabo é isso agora, Rodrigo, virou bicha?”
“Que isso,
man, deixa de pilha, to na mó vibe aqui. Conheci umas mina que disseram que
isso era o que tava na moda agora.” – abriu a jaqueta e girou feito malandro
pra eu ver a roupa inteira. Rodriguinho falava com um sotaque afetado, puxando os
esses e demorando nas vogais.
“Moda? Pra
mim isso é coisa de viado e pronto, olha essas calças, pelamor, Rodrigo. Até o
sotaque tu afeta.”
“Colé irmão, ta dando uma de moralista agora?
Tu nunca foi dessa.”
“Moralista não, sou macho.”
“Moralista não, sou macho.”
“Um puto
moralista e homofóbico, é o que tu é, man.”
“Meu Deus,
Rodrigo, desde quando tu é viado?”
“Relaxa aí,
Brô, que o que eu faço é cultuar o amor e não o falso moralismo, deixa de treta
e vem comigo que te mostro umas gatas.”
Relutei, mas acabei indo.
“Que diabo é
isso aqui, Rodrigo? Tamo no Woodstock?”
“Ah, man,
bem que a gente queria, mas não tem a Janis nem o Jimmy, aí é foda, mas a gente
coloca os discos, pô. Toca que é uma beleza e os cara se amarram.”
“Ai meu pai, minha vó que tava certa, esse mundo tá perdido mesmo.”
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