sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Theodore

Theodore era um rapazinho incapaz de amar, vez por outra taxado de sem coração.  Ele era egoísta, imaturo e despreparado, não sabia lidar com as pessoas mesmo. Num desses dias abastados da solidão que o atormentava e que, por pura incompetência ou apego, não se sabe, ele decidia manter – e alimentar –, ele encontrou alguém. Uma pessoa tão maravilhosa, meiga, que ouvia os mesmos discos, assistia aos mesmos filmes que ele. “Teremos muito o que conversar”, ele pensou.
         A convivência era ótima, eu me arriscaria seriamente a dizer que era perfeita. Essa pessoa sempre o acompanhava independentemente de tudo o que acontecia, apoiava e participava de absolutamente tudo na vida de Theodore, a conexão que existia parecia irreal. Até que não havia mais nada de novo, tudo se tornou monótono e repetitivo. Qual não foi a surpresa de Theo quando tiveram a primeira discussão e, num acesso descontrolado de raiva ele acabou por quebrar o espelho no qual essa tal pessoa residia.

         Imagine quão frustrado Theodore não ficou ao perceber que nem ele mesmo se suportava mais.

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