Theodore era
um rapazinho incapaz de amar, vez por outra taxado de sem coração. Ele era
egoísta, imaturo e despreparado, não sabia lidar com as pessoas mesmo. Num
desses dias abastados da solidão que o atormentava e que, por pura
incompetência ou apego, não se sabe, ele decidia manter – e alimentar –, ele
encontrou alguém. Uma pessoa tão maravilhosa, meiga, que ouvia os mesmos
discos, assistia aos mesmos filmes que ele. “Teremos muito o que conversar”,
ele pensou.
A
convivência era ótima, eu me arriscaria seriamente a dizer que era perfeita.
Essa pessoa sempre o acompanhava independentemente de tudo o que acontecia,
apoiava e participava de absolutamente tudo na vida de Theodore, a conexão que
existia parecia irreal. Até que não havia mais nada de novo, tudo se tornou
monótono e repetitivo. Qual não foi a surpresa de Theo quando tiveram a
primeira discussão e, num acesso descontrolado de raiva ele acabou por quebrar
o espelho no qual essa tal pessoa residia.
Imagine
quão frustrado Theodore não ficou ao perceber que nem ele mesmo se suportava
mais.
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