Não escrevo poesia, o título foi só um trocadilho legal que eu achei, mas pode procurar os versos brancos dentro da minha prosa. Aviso logo que este blog abriga conteúdo sentimental intenso, então esteja em dia com o seu cardiologista antes de lê-lo. Aviso também que sou apenas responsável por aquilo que escrevo, interprete como lhe convier. Quando crescer quero ser uma raposa, por hora sou apenas uma menina.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
Se sou fogo
Talvez num outro dia eu pedisse para ser um dos botões da tua camisa, um fiapo da tua blusa de seda, a barra da tua calça, um anel no teu dedo, um brinco na tua orelha, teu batom. Mas agora não é suficiente. A fome que me toma nesse instante é maior, mais violenta e voraz do que a minha sede de antes, juraria qualquer coisa, mas sem perceber me despi dos meus preconceitos e dos meus princípios. Não é mais teu corpo e não será, não me sacio e das vezes em que a água do teu ser aplacou meu fogo era irreal. Não desconstruo com falsos moralismos tudo o que houve, nem é real o que digo acima, é só bonito. Desta maneira desando a falar e sem mais falar meu corpo jorra da incerteza de ter sido substituído por uma confiança que não sei aonde encontrei, mas jaz aqui. Qualquer semelhança comigo de antes é mera coincidência, inconveniência mesmo da vida que há muito fora deixada. Vê por minhas palavras que são o que há de mais puro em mim, de mais bruto. Pois se sou rocha não falho, não caio por terra e não desato a cometer essas gafes que pouco me tocam. Se sou água, desvio e deságuo, banho teus corpos desnudos, me escondo e vejo por todas as frestas. Se sou fogo apenas ardo na urgência do meu comburente.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
Sol de sábado
Minha garganta estava seca, era um desses dias de sol, parecia sábado, um calor infernal e eu estava andando, procurando. "Aí não, tem gente demais." E nada discretamente me virei e voltei pelo mesmo caminho que vinha. Nunca gostei mesmo de multidão, todos aqueles estranhos, nunca foi meu forte, continuei andando, parei, pedi informação e andei mais um pouco. "Deus, que calor." Eu puxava a gola da minha camiseta tentando fazer entrar um pouco de ar, não adiantava. Uma garota achou que eu a estava seguindo, não estava, eu estava procurando, sem querer achar, mas estava.
Meu coração estava acelerado, parei e bebi água, respirei fundo, molhei as mãos e continuei. A copa das árvores balançava, mas o vento era quente também. Não quis olhar para os lados e não olhei. Dobrei a esquina e dei de cara com ela, minha garganta secou de novo, minhas mãos suaram, engoli seco sem saber o que dizer, ajeitei os óculos na tentativa de desviar o olhar, mas ela sabia, sorriu e meus olhos não me obedeceram mais. Ela se virou e eu arrumei o cabelo, estava enfeitiçado, dei um sorriso meio torto e idiota e ela riu de novo. Suei em bicas, minha respiração estava acelerada. "Vou desmaiar, como pode? Seja homem, não trema." Era inútil, não conseguia nem falar.
Meu coração estava acelerado, parei e bebi água, respirei fundo, molhei as mãos e continuei. A copa das árvores balançava, mas o vento era quente também. Não quis olhar para os lados e não olhei. Dobrei a esquina e dei de cara com ela, minha garganta secou de novo, minhas mãos suaram, engoli seco sem saber o que dizer, ajeitei os óculos na tentativa de desviar o olhar, mas ela sabia, sorriu e meus olhos não me obedeceram mais. Ela se virou e eu arrumei o cabelo, estava enfeitiçado, dei um sorriso meio torto e idiota e ela riu de novo. Suei em bicas, minha respiração estava acelerada. "Vou desmaiar, como pode? Seja homem, não trema." Era inútil, não conseguia nem falar.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2015
Theodore
Theodore era
um rapazinho incapaz de amar, vez por outra taxado de sem coração. Ele era
egoísta, imaturo e despreparado, não sabia lidar com as pessoas mesmo. Num
desses dias abastados da solidão que o atormentava e que, por pura
incompetência ou apego, não se sabe, ele decidia manter – e alimentar –, ele
encontrou alguém. Uma pessoa tão maravilhosa, meiga, que ouvia os mesmos
discos, assistia aos mesmos filmes que ele. “Teremos muito o que conversar”,
ele pensou.
A
convivência era ótima, eu me arriscaria seriamente a dizer que era perfeita.
Essa pessoa sempre o acompanhava independentemente de tudo o que acontecia,
apoiava e participava de absolutamente tudo na vida de Theodore, a conexão que
existia parecia irreal. Até que não havia mais nada de novo, tudo se tornou
monótono e repetitivo. Qual não foi a surpresa de Theo quando tiveram a
primeira discussão e, num acesso descontrolado de raiva ele acabou por quebrar
o espelho no qual essa tal pessoa residia.
Imagine
quão frustrado Theodore não ficou ao perceber que nem ele mesmo se suportava
mais.
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