Minha garganta estava seca, era um desses dias de sol, parecia sábado, um calor infernal e eu estava andando, procurando. "Aí não, tem gente demais." E nada discretamente me virei e voltei pelo mesmo caminho que vinha. Nunca gostei mesmo de multidão, todos aqueles estranhos, nunca foi meu forte, continuei andando, parei, pedi informação e andei mais um pouco. "Deus, que calor." Eu puxava a gola da minha camiseta tentando fazer entrar um pouco de ar, não adiantava. Uma garota achou que eu a estava seguindo, não estava, eu estava procurando, sem querer achar, mas estava.
Meu coração estava acelerado, parei e bebi água, respirei fundo, molhei as mãos e continuei. A copa das árvores balançava, mas o vento era quente também. Não quis olhar para os lados e não olhei. Dobrei a esquina e dei de cara com ela, minha garganta secou de novo, minhas mãos suaram, engoli seco sem saber o que dizer, ajeitei os óculos na tentativa de desviar o olhar, mas ela sabia, sorriu e meus olhos não me obedeceram mais. Ela se virou e eu arrumei o cabelo, estava enfeitiçado, dei um sorriso meio torto e idiota e ela riu de novo. Suei em bicas, minha respiração estava acelerada. "Vou desmaiar, como pode? Seja homem, não trema." Era inútil, não conseguia nem falar.
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