Talvez num outro dia eu pedisse para ser um dos botões da tua camisa, um fiapo da tua blusa de seda, a barra da tua calça, um anel no teu dedo, um brinco na tua orelha, teu batom. Mas agora não é suficiente. A fome que me toma nesse instante é maior, mais violenta e voraz do que a minha sede de antes, juraria qualquer coisa, mas sem perceber me despi dos meus preconceitos e dos meus princípios. Não é mais teu corpo e não será, não me sacio e das vezes em que a água do teu ser aplacou meu fogo era irreal. Não desconstruo com falsos moralismos tudo o que houve, nem é real o que digo acima, é só bonito. Desta maneira desando a falar e sem mais falar meu corpo jorra da incerteza de ter sido substituído por uma confiança que não sei aonde encontrei, mas jaz aqui. Qualquer semelhança comigo de antes é mera coincidência, inconveniência mesmo da vida que há muito fora deixada. Vê por minhas palavras que são o que há de mais puro em mim, de mais bruto. Pois se sou rocha não falho, não caio por terra e não desato a cometer essas gafes que pouco me tocam. Se sou água, desvio e deságuo, banho teus corpos desnudos, me escondo e vejo por todas as frestas. Se sou fogo apenas ardo na urgência do meu comburente.
Muito bom..
ResponderExcluirObrigada :3
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