segunda-feira, 23 de março de 2015

The Thunderstorm Girl

Eu já havia me acostumado, todos os meses eram iguais, ela explodia feito uma louca. Ao menos uma vez. Nas primeiras, eu me vi completamente desesperado, achando que ela iria embora para nunca mais voltar. Parei de pentear os cabelos procurando uma solução para apagar o fogo que ardia no meu peito. E uma semana depois, com a cara lavada, ela apareceu. Por um ou dois segundos, meu orgulho me disse que deveria ignorá-la e assim o fiz, mas sabia que era por puro charme, quando ela voltou o olhar para mim, não resisti a um beijo e a um abraço apertado. Eu pensei que poderia tê-la perdido.
Ocasionalmente, aqueles ataques de fúria e indiferença me faziam querer desistir de tudo, mas eu sabia que ninguém me preencheria daquele jeito, que não completariam meu corpo e que sua fúria se casava silenciosamente com a minha calmaria. Decidi parar de pensar essas coisas e me entregar ao mar turbulento que ela era. Eu era o barco, uma canoa simples desafiada a navegar daquele jeito.
Vez ou outra me pegava rindo sozinho, bagunçando meu próprio cabelo do jeito como ela fazia, não acreditava que poderia ter sido eu o escolhido, eu que era tão indiferente e calmo, que nada tinha que me fizesse sair do chão. Logo eu estava ali, acorrentado a ela como um animal à sua jaula e era dessa maneira que eu sabia que era real. Quanto mais ela brigava, mais meu amor por ela crescia. Metade dos meus amigos achava que eu tinha enlouquecido por estar com ela “mesmo depois de tudo”, como eles mesmos diziam. Mas eles não sabiam de nada, eles nunca sabem.
Eles não sabiam que eu encontrei meu lar dentro daquela turbulência, que ela era o único lugar de onde eu não tinha vontade de ir embora, que vez ou outra eu me descabelava, eu tinha um medo absurdo e isso me tornava humano e frágil e ser humano me tornava melhor. Eles achavam que ela estava me matando, mas, com todo aquele caos e turbulência, ela estava apenas me tirando do marasmo, me dando vida.


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