segunda-feira, 1 de maio de 2017

Sinapses

Quando a pele dela tocava a minha, meus pêlos se eriçavam para ficarem mais próximos ao corpo dela. Quando via a boca, meus olhos se enchiam e mandavam estímulos para a boca, que se repuxava para cima. A tez corava, relaxada pela presença daquela moça miúda. Quando sentia o cheiro, os pulmões se abriam com mais facilidade para poder absorver o perfume dela. Quando começava a sentir seu sabor, o paladar apurava buscando as oscilações, degustando o prazer. Quando a pele tocava, o coração batia com mais força, compassado com o dela. Quando os seios se tocavam, a respiração surda virava um gemido discreto, sibilado no escuro dos olhos fechados. Quando os dentes tocavam a pele, a dor não era dor, ou era prazerosa. Quando os dedos dela roçavam pelo meu corpo, minha pele reconhecia e se entregava de corpo. Quando dentro dos olhos dela eu me reconhecia, então minha alma que se entregava. A rendição nunca foi tão facilitada pelas sinapses do meu corpo quanto naqueles dias em que ela se deixou residir em mim. Nos outros, meu corpo se resguardava como muralha, poeira, pedra, terra. Inerte. Foi ela chegar e todas as funções se vincularam numa sinestesia inexplicada, todos os sentidos se excitaram para apreendê-la por completo. Cada pedaço, cada centímetro do tecido que revestia meu corpo se preocupava em revestir cada parte minúscula do corpo dela.

Nenhum comentário:

Postar um comentário