Não escrevo poesia, o título foi só um trocadilho legal que eu achei, mas pode procurar os versos brancos dentro da minha prosa. Aviso logo que este blog abriga conteúdo sentimental intenso, então esteja em dia com o seu cardiologista antes de lê-lo. Aviso também que sou apenas responsável por aquilo que escrevo, interprete como lhe convier. Quando crescer quero ser uma raposa, por hora sou apenas uma menina.
segunda-feira, 1 de maio de 2017
Sinapses
Quando a pele dela tocava a minha, meus pêlos se eriçavam para ficarem
mais próximos ao corpo dela. Quando via a boca, meus olhos se enchiam e
mandavam estímulos para a boca, que se repuxava para cima. A tez corava,
relaxada pela presença daquela moça miúda. Quando sentia o cheiro, os
pulmões se abriam com mais facilidade para poder absorver o perfume
dela. Quando começava a sentir seu sabor, o paladar apurava buscando as
oscilações, degustando o prazer. Quando a pele tocava, o coração batia
com mais força, compassado com o dela. Quando os seios se tocavam, a
respiração surda virava um gemido discreto, sibilado no escuro dos olhos
fechados. Quando os dentes tocavam a pele, a dor não era dor, ou era
prazerosa. Quando os dedos dela roçavam pelo meu corpo, minha pele
reconhecia e se entregava de corpo. Quando dentro dos olhos dela eu me
reconhecia, então minha alma que se entregava. A rendição nunca foi tão
facilitada pelas sinapses do meu corpo quanto naqueles dias em que ela
se deixou residir em mim. Nos outros, meu corpo se resguardava como
muralha, poeira, pedra, terra. Inerte. Foi ela chegar e todas as funções
se vincularam numa sinestesia inexplicada, todos os sentidos se
excitaram para apreendê-la por completo. Cada pedaço, cada centímetro do
tecido que revestia meu corpo se preocupava em revestir cada parte
minúscula do corpo dela.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário