terça-feira, 24 de junho de 2014

Adeus, minha rainha



       Ai meu bem, tenho andado cansado, então ignore as bobagens que eu tinha dito. O que rasgo de mim o faço em silêncio. Perdoe minha loucura e meus maus modos, não está sendo fácil, sei que pra você também não. Mas é a vida, minha menina, nos ensina a crescer. E quando eu for grande, quero novamente estar ao seu lado. Tenho saudades de chamá-la de meu amor, de repetir e rir comigo dizendo que é minha. Perdoe-me por expor meu sofrimento, mas preciso pôr pra fora o veneno que me incendeia. Rasgo-me em dois ao pensar que você pode estar em braços que não são meus, quase me mato e na minha fúria odeio todas as circunstâncias com tanta ou mais força que a desejo. E por não mais que cinco minutos finjo indiferença. Se houvesse então outro homem, gostaria de quebrar-lhe os ossos um a um, de dentro da minha raiva quase gritar. Mas a você não odeio, não me entenda mal, preciso acostumar-me aos fatos, digo, preciso esquecer os beijos, o cheiro e me ocupar com outras coisas. Quando viajar, mando-lhe cartões-postais de todos os lugares por onde passar.
        
                                                                                                                 (Marvolo Debram)

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