Ai meu bem, tenho andado cansado, então
ignore as bobagens que eu tinha dito. O que rasgo de mim o faço em silêncio.
Perdoe minha loucura e meus maus modos, não está sendo fácil, sei que pra você
também não. Mas é a vida, minha menina, nos ensina a crescer. E quando eu for
grande, quero novamente estar ao seu lado. Tenho saudades de chamá-la de meu
amor, de repetir e rir comigo dizendo que é minha. Perdoe-me por expor meu
sofrimento, mas preciso pôr pra fora o veneno que me incendeia. Rasgo-me em dois
ao pensar que você pode estar em braços que não são meus, quase me mato e na
minha fúria odeio todas as circunstâncias com tanta ou mais força que a desejo.
E por não mais que cinco minutos finjo indiferença. Se houvesse então outro
homem, gostaria de quebrar-lhe os ossos um a um, de dentro da minha raiva quase
gritar. Mas a você não odeio, não me entenda mal, preciso acostumar-me aos
fatos, digo, preciso esquecer os beijos, o cheiro e me ocupar com outras
coisas. Quando viajar, mando-lhe cartões-postais de todos os lugares por onde
passar.
(Marvolo Debram)
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