Eu sou a tormenta, as nebulosas e as supernovas, sou você e
a mim, sou de tudo um pouco e acabo sendo nada, sou desde ontem o que o amanhã
me proporciona, sou uma confusão, mas onde já se viu, sou mesmo. E o que não
sou, invento, invento até repetir que não sou e ser. Sou a mim e a você. Sou
alimento, vírgulas e ponto final, sou mentira, de mentira, sou cheia e vazia,
de nada, veja, o que sou senão nada e o que é nada senão tudo. O que é? Sou
interrogações, pontos, vírgulas de novo, mas nunca exclamações, nem
reticências, não, nunca. Sou ontem, hoje e amanhã, amanhã, hoje e ontem e sou,
mais que isso, aquilo. Sou um poço, um abismo e uma poça. Sou de nada, de tudo,
de sangue escorrendo, de pele e ossos, de vida, de água, de sal, de açúcar, sou
um, dois e três e não sei aonde foram parar outras coisas. Sou o infinito e o
paralelo, as fendas no tempo, dois dedos de café frio, uma música chata, dor de
cabeça, dor, dor no corpo inteiro, sou uma interpretação errada, um olhar desejoso,
quase de objeto, sou vítima e não sou, não, não sou. Sem pontos. Sou uma foto
rasurada pelo tempo, um, dois, infinitos corações partidos, sou princípio e
fim, e fim em mim mesma, sou alfa, ômega, mas sou. Sou de tudo, de todos, de
ninguém, quem sabe, quem? Quem poderia saber? Se não eu, se não você. Sou outra
interrogação mal escrita, sou escrevendo, sou sentindo, sou me derramando, sou
serpente, víbora, sou, sou eu. Não sei quem é. Mas é. Sou um rio, que corre,
sou o mar que alimenta, que é de novo tormenta, que mata, sou uma cascata que
cai e levanta, mas não, sou hoje. Olhe que curso o rio toma. Olhe que curso o
rio segue e o siga.
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