Era uma advogadazinha
recém formada, de estatura média, cabelos cor de cobre e um humor péssimo. “Cale a boca, Duncan!” foi o que disse
pouco antes da primeira entrevista de emprego. Vestida com o terninho preto, de
salto, muito bem maquiada, insegura demais, mas pisava firme pra não deixar
isso transparecer. Ao acaso, percebeu que o entrevistador era o amor de sua
vida. Mas vejam que inconveniente é o amor. Por um instante desafixou os olhos
dele e colocou-os no chão de madeira. Repare só se ele percebe o rubor, se viesse a perguntar, ela diria que era do
blush que passou apressada e não percebeu o exagero, ele nem questionaria.
Prosseguindo com a entrevista, o rapaz de cabelos ondulados e seus trinta e
poucos anos perguntava suas qualificações enquanto ela se perguntava se ele era
solteiro. “Não, que nada, bonito desse
jeito, com esse sorriso, deve ter alguma sortuda que o laçou. Ou pode ser gay,
é triste, mas é uma possibilidade. Ai, não, gay não.” E ele seguia
desnorteado enquanto ela o olhava sem responder. “A senhora não entendeu a pergunta?” “Ah, desculpe, é senhorita.” Ele
ofereceu água, ela bebeu e marcou o copo com o batom bordô. Ele disse que
compreendia o nervosismo e então começaram a conversar sobre a faculdade,
depois o ensino médio, fundamental, os amigos de infância, as broncas que
levavam das professoras e no fim da entrevista, tinham um jantar marcado. Anne
saiu de lá satisfeita, não tinha conseguido o emprego, mas garantira a vaga com
o amor de sua vida. E, ao ir embora, até sorriu pro Duncan.
Nenhum comentário:
Postar um comentário