segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Das janelas

     As janelas vazias solitárias, solidárias ao poeta inquieto e insone que se debruça sobre a oitava folha rabiscada com a loucura que viveu nas últimas horas, embebida em lágrimas, da qual nem sentia o fervor. O jovem rapaz descabelava-se, estava sozinho e na solidão encontrava sua morada pois não precisava conter sua insanidade e a espalhava por todo o espaço. Estavam loucos os livros, os sofás, a cama, os talheres, especialmente as facas. Não precisava e transcendia na transfusão do seu sangue para o papel, da agonia para os versos, da loucura para os sonetos, do devaneio para as estrofes, da abstração para a prosa e o romance.

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