sexta-feira, 1 de agosto de 2014

A descobrir-se



Desde que aprendera a amar,
havia abandonado por completo a infância,
junto com as bonecas de cabelos desgrenhados,
encontrava-se moça, quase mulher,
com as faces afogueadas,
o coração tomado de assalto sempre que ouvia
os passos firmes se arrastando pela varanda,
o timbre de suas gargalhadas era outro,
agora mais doce,
o brilho de seus olhos remetia a uma noite de lua cheia,
seu riso era ainda mais constante.
O amor era peça que lhe caia bem,
e se não o visse, caia de cama,
adoecia, ficava febril,
soturna, doente de amor.

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