segunda-feira, 18 de agosto de 2014

O envelope negro



        Havia escrito uma carta para mim mesma em outra geração. Comprei vários envelopes e os guardei, mas um se destacava. Um envelope preto feito breu, não dava pra escrever nele. Quis então escrever uma carta e colocá-la nele para mandá-la a você. Explicaria que você me tornou de alguma maneira, não sei bem o que foi, mas é o que sinto. Diria que sou como esse envelope, não há nada por fora, não se vê nada, mas por dentro, por dentro sou inteira rabiscada, escrita, desenhada, rasurada. Diria que lhe mostrei coisas que não pensei mostrar a alguém, mas agora não há por que me esconder. Estou cansada de me esconder. Diria também que fui covarde e não tive coragem de escrever diretamente a você. O envelope continua aqui.

Nenhum comentário:

Postar um comentário