Havia escrito uma carta para mim
mesma em outra geração. Comprei vários envelopes e os guardei, mas um se
destacava. Um envelope preto feito breu, não dava pra escrever nele. Quis então
escrever uma carta e colocá-la nele para mandá-la a você. Explicaria que você
me tornou de alguma maneira, não sei bem o que foi, mas é o que sinto. Diria
que sou como esse envelope, não há nada por fora, não se vê nada, mas por
dentro, por dentro sou inteira rabiscada, escrita, desenhada, rasurada. Diria
que lhe mostrei coisas que não pensei mostrar a alguém, mas agora não há por
que me esconder. Estou cansada de me esconder. Diria também que fui covarde e
não tive coragem de escrever diretamente a você. O envelope continua aqui.
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