Já andava cansada de
toda essa dor, sabia que precisava de algo para me ajudar, então decidi deixar
minha teimosia de lado. Vesti um agasalho e fui até a farmácia. Assim que
cheguei, um simpático senhor veio me atender.
-- O senhor vende
remédios para coração partido? – perguntei prestes a dar um espirro
escandaloso.
Ele parou, me olhou
bem e viu que eu não estava brincando, afinal, que tipo de pessoa se agasalha
ao meio-dia de pleno verão? Tossi discretamente e ele perguntou meus sintomas.
-- Febre, dor no
peito, indisposição, falta de ar, falta de apetite, ardência nos olhos e frio,
claro. – Disse apontando o casaco. – Já persiste há duas semanas.
Ele assentiu com a
cabeça, abaixou-se e começou a procurar por algo num balcão à parte. Revirou
caixas e caixas por um bom tempo até encontrar uma cor-de-rosa com o desenho de
um coraçãozinho vermelho colado com um band-aid.
“Pelo amor de Deus”, pensei. Vendo
minha expressão, ele disse que um lote reformado com novo design estava para
chegar, que aquela era a última caixa. Concordei.
-- Quanto custa? –
perguntei já revirando o bolso, não sei se lembrei de pegar o dinheiro. Droga.
-- Não é nada, isso se
vende feito água. Outro dia um escritor que havia se apaixonado por uma
prostituta levou três caixas. Analgésicos para um coração partido.
“Vish”, pensei.
-- Obrigada – disse
lendo a bula e indo para a porta.
-- Só uma coisa – ele
disse e eu me virei para ele. – Você precisa se desintoxicar.
-- Como? Eu não me
drogo, senhor.
Ele riu diante da
confusão. Disse que eram minhas memórias que precisavam de reparo, de serem
domadas para ver se aquietavam meu espírito.
-- Tome este remédio 3
vezes ao dia e depois de uma semana volte aqui para o processo de
desintoxicação.
-- Ahn, tudo bem.
-- Obrigado, volte
sempre.
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