segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Na madruga boladona



 De madrugada levanto e meu coração que não suporta nada calado avisa minha cabeça de todos os ocorridos antes mesmo que eu consiga respirar mais uma vez. E de tão cheia de tudo quase me afogo em mim, e de tão vazia que me sinto me relevo e resigno-me a levantar, tomar um copo d’água para ver se ameniza a boca seca da sua ausência, volto para a cama e me cubro com as minhas incertezas, olho o escuro e dou um riso sádico, meio doente, mas torno à maresia que havia me tomado. Me deixo levar, me deixo não, sou arrastada, feito cão sem dono, e a correnteza me leva a lugares onde nunca pensei estar, mas sempre estive e nem sabia.

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