Nova na cidade, fui visitar as casas que tinha visto para morar. Entrei em uma, monocromática demais, noutra, colorida demais, tinha visitado umas cinco casas até quase desistir. Então a encontrei. A casa era simples, casa de vila, preguiçosa, como o antigo dono tinha descrito, uma delícia. Da cozinha se podia ver as folhas ao vento, umas caindo, o silêncio reinava. A decoração era tranquila, tinha algumas coisas escritas nas paredes, coisas dos antigos donos. A casa também parecia antiga, mas aconchegante.
Reparei em cada detalhe, prestei atenção em cada risco de cada móvel, das tábuas soltas no chão, de uma xícara deixada para trás com uma alça quebrada. Apurei meus olhos e olhei as paredes, pia, torneira, fogão, paredes, dois buracos. Devia ser de parafuso, mais dois, acima mais dois. Algo faltava ali, eu sentia e por mais estranho que fosse, me identifiquei com a parede, quase ri depois de ter pensado isso, mas me deixei apreciar os espaços vazios.
É coisa da vida, com objetos, com gente, as coisas sempre deixam marcas quando vão embora, mesmo que digam que não, que dá pra colocar cimento aqui e ali. Sempre fica.
