segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Acasos



“Helena!” – ouvi uma voz máscula gritar meu nome.
      Estava sentada num quiosque à beira da praia e me virei para ver quem me chamava. Era um rapaz forte, bonito, sarado, corria descamisado, não reconheci, mas podia ser um ex-colega de classe, do trabalho, de uma festa, sabe-se lá. Me aprumei inteira, ajeitei o decote e deixei a manga da blusa caindo pelo ombro, ele continuava correndo.
      O moço era uma verdadeira beldade, sem barba e com o corpinho inteiro definido (do jeito que eu gosto) e quando corria, o shorts subia e mostrava aquelas pernas (e que pernas!).
      “Helena!” – gritou mais uma vez. Será que não percebeu que eu já o havia visto?
       Chegou perto de mim e parou, ofegou, apoiou as mãos nos joelhos e voltou a retesar o corpo bem ereto.
        “Moça, a senhora viu Helena, minha cadela? Ela é inteira branca, pit Bull, porte médio.” – quase caí da cadeira quando ele falou, não sabia se chorava ou ria da minha própria cara, mas ele parecia tão desesperado.
        “Não, desculpe, não vi nenhum cachorro por aqui ainda hoje.” – respondi.
         “Ah, obrigado, desculpe incomodar.”
         “Não tem problema.”
          E então o rapaz pôs-se novamente a correr e a gritar por Helena, a cadela. De costas era também muito bem feito, devo dizer, mas oh coincidência infeliz, viu.

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