“Helena!” – ouvi uma voz máscula gritar meu nome.
Estava sentada
num quiosque à beira da praia e me virei para ver quem me chamava. Era um rapaz
forte, bonito, sarado, corria descamisado, não reconheci, mas podia ser um
ex-colega de classe, do trabalho, de uma festa, sabe-se lá. Me aprumei inteira,
ajeitei o decote e deixei a manga da blusa caindo pelo ombro, ele continuava
correndo.
O moço era uma
verdadeira beldade, sem barba e com o corpinho inteiro definido (do jeito que
eu gosto) e quando corria, o shorts subia e mostrava aquelas pernas (e que
pernas!).
“Helena!” –
gritou mais uma vez. Será que não percebeu que eu já o havia visto?
Chegou perto de
mim e parou, ofegou, apoiou as mãos nos joelhos e voltou a retesar o corpo bem
ereto.
“Moça, a
senhora viu Helena, minha cadela? Ela é inteira branca, pit Bull, porte médio.”
– quase caí da cadeira quando ele falou, não sabia se chorava ou ria da minha
própria cara, mas ele parecia tão desesperado.
“Não,
desculpe, não vi nenhum cachorro por aqui ainda hoje.” – respondi.
“Ah,
obrigado, desculpe incomodar.”
“Não tem
problema.”
E então o
rapaz pôs-se novamente a correr e a gritar por Helena, a cadela. De costas era também
muito bem feito, devo dizer, mas oh coincidência infeliz, viu.
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