terça-feira, 23 de setembro de 2014

O patrulheiro notívago

       De madrugada o único som que se ouve pelo bairro é o apito do patrulheiro notívago ecoando pelas janelas abertas, solitárias. E eu pensava que ela me encantou, eu sabia que me encantaria, então não quis colocar meu outro amor recente na gaveta, a ignorei, brinquei e a evitei tanto quanto pude, mas no dia em que passei embaixo da escada, no outro em que andei em sua direção sem enxergá-la, mas ela me via, foi inevitável que eu me rendesse, e eu sabia. Mas por saber não foi menos bonito, absorvi toda a sua energia num lapso de curiosidade, noutro de impaciência, noutro de indecisão. Sabia que cederia no instante em que ela executou aquele balé irresistível de prender os cabelos e revelar a nuca, aquilo me encanta, mas me encantou mais porque meus olhos contradisseram tudo aquilo o que meu pensamento havia determinado, minha mente sucumbia irracional e aqueles olhos que olhavam minha boca sedenta de riso só me perguntavam se nos falaríamos novamente.

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