Há quase quatro anos o direito
constitucional à felicidade foi decretado. Agora é garantido por lei que
busquem sua razão para viver esteja ela onde estiver. O que eu quero dizer com
isso? Nem eu sei, veja só.
Eu quero dizer que todos estes que aprovaram
essa lei – que muitos (inclusive eu) dizem ser tola – deveriam ter se dado
também ao direito à loucura. Digo, todos aqueles que se dizem – ou são taxados
como tal – loucos (ou quase) são mais felizes, mas eles não ligam para essas
definições prontas redigidas com normas da ABNT, que nada. Isso tudo é
patético. Eles usam esse rótulo chulo para se dar ao luxo de serem excêntricos,
bêbados, egoístas e drogados, de serem eles mesmos.
Eu, por exemplo, estou usando a mesma
camiseta há três dias, mas você não vai ficar chocado ou me reprovar, não. Você
vai rir e dizer que sou uma porra louca mesmo, que não tenho mais o que fazer.
Mas te digo que escrevi tudo isso
plenamente sóbria e é verdade. Bebendo sobriedade de canudinho e ela fazia
queimar minha garganta. Adorava escolher os canudos pela cor, sempre os
combinava com os copos, agora são todos padronizados e sem graça. Comparo
canudos a pessoas de vez em quando.
Já é hora de acabar. E eu recomendo “então
queres ser escritor?” de Charles Bukowski, uma loucura deliciosa de sarjeta.
Esse homem define muito bem. Dê-se ao direito de extrapolar a realidade de vez
em quando, mas não se mate, por favor. E se perguntarem, eu negarei que disse
qualquer coisa.
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