Era fim de maio quando ela me mostrou tudo o que tinha sentido e vivido
nos últimos dois ou três meses. Ela copiava cada passo, guardava cada lembrança
e à medida em que eu ia revirando os papéis, ia mergulhando dentro de tudo o
que ela havia vivido – e escrito. Eu me via ali dentro em determinadas linhas,
mas não teria paciência para relatar cada detalhe como ela fez, não tenho
mesmo. Ali eu via uma história de amor se iniciar e definhar. Eu a vi construir
tudo aquilo e vi desmoronar feito castelo de areia que não resiste à força do
mar. A vi levantar e cair, mas ela levanta de novo.

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