Ela tinha um medo absurdo de se
afogar, mas viu o mar e como que por encanto foi atraída por ele, colocou os
pés: água fria, agradável. Depois foi entrando, quando a água estava na altura
dos tornozelos, o mar começou a fazer movimentos estranhos, recuava, parou de chegar aos
seus pés, então ela ia cada vez mais fundo para buscá-lo. Quando deu por si, a
água estava na altura da cintura e não avançava para ela. De repente, retornou
a avançar com força, com toda a força e ela foi sendo dominada. Correu para
fora e o mar se acalmou. Não era possível que ela tivesse provocado tamanha
turbulência. E então ela pensou que o mar engolia seus pensamentos e seus
sentimentos. Sou eu, quem está revolto é meu ser, a tormenta que se agrava toda
vez. Parou de pensar e entrou no mar calmo, que a essa altura lhe tirava os
sentidos, e o barulho do mar, aquela música salgada invadia seus ouvidos e ela
se afogava no mar de si que pensava existir.
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