segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Vai, vagabundo



   Vai vagabundo, apaixonar-se por outra dessas mulheres de quinta que você encontra nessas esquinas escuras. Vai morrer de amor pela trigésima vez essa semana. Vai comprar o perfume barato que você acha que ela adora. Vai guardar uma dessas garrafas de vinho fuleiro que tanto aguça o paladar bruto dela. Afinal, para saborear-te, ela não pode ser mesmo exigente.
    Vai guardar o dinheiro, que era pra comprar teu remédio, para dar a ela um presentinho, uma bijuteria de capa de revista. Vai morrer feito o cachorro que é, jogado pelos cantos. Vai viciado, arrasar-se no vício. Vai dizer a ela que seu cheiro o embriaga tanto quanto o ópio que luta para comprar.
    Vai dizer que não consegue arrumar um emprego porque a boemia não sai de você. Vai dizer que comprou um presente mês passado, que lembrou dela quando viu tal peça, mas ela vai recusar tudo, afinal, você não tem dinheiro para o programa.

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