Vai vagabundo,
apaixonar-se por outra dessas mulheres de quinta que você encontra nessas
esquinas escuras. Vai morrer de amor pela trigésima vez essa semana. Vai
comprar o perfume barato que você acha que ela adora. Vai guardar uma dessas
garrafas de vinho fuleiro que tanto aguça o paladar bruto dela. Afinal, para
saborear-te, ela não pode ser mesmo exigente.
Vai guardar o
dinheiro, que era pra comprar teu remédio, para dar a ela um presentinho, uma
bijuteria de capa de revista. Vai morrer feito o cachorro que é, jogado pelos
cantos. Vai viciado, arrasar-se no vício. Vai dizer a ela que seu cheiro o
embriaga tanto quanto o ópio que luta para comprar.
Vai
dizer que não consegue arrumar um emprego porque a boemia não sai de você. Vai
dizer que comprou um presente mês passado, que lembrou dela quando viu tal
peça, mas ela vai recusar tudo, afinal, você não tem dinheiro para o programa.
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