quarta-feira, 17 de setembro de 2014

O lobo e a serpente

    Ao amanhecer apercebeu-se do que tinha se dado na noite anterior. Andava a  esgueirar-se inteira desconfiada de ter sido percebida sem perceber. Sabia que era mau tudo o que oferecia, bebia-lhe a própria peçonha. Num ato de loucura, o apressou a beber-lhe o sangue, então o Lobo rasgou a garganta da Serpente num rompante e no segundo seguinte o veneno escorria pelos olhos. Andava já fascinado pela destreza que tinha adquirido e matava por prazer, buscava a justiça e andava só. Andava a correr e corria até prender-se debaixo das garras do Leão e ser julgado pela Raposa. Percebeu então que ser Lobo e relapso não era assim, bem desconexo. Percebeu que a Serpente que não tinha força, que era vil e amaldiçoada. E morreu envenenado com o próprio orgulho.

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