Ao amanhecer apercebeu-se do que tinha se
dado na noite anterior. Andava a esgueirar-se
inteira desconfiada de ter sido percebida sem perceber. Sabia que era mau tudo
o que oferecia, bebia-lhe a própria peçonha. Num ato de loucura, o apressou a
beber-lhe o sangue, então o Lobo rasgou a garganta da Serpente num rompante e
no segundo seguinte o veneno escorria pelos olhos. Andava já fascinado pela
destreza que tinha adquirido e matava por prazer, buscava a justiça e andava
só. Andava a correr e corria até prender-se debaixo das garras do Leão e ser
julgado pela Raposa. Percebeu então que ser Lobo e relapso não era assim, bem
desconexo. Percebeu que a Serpente que não tinha força, que era vil e
amaldiçoada. E morreu envenenado com o próprio orgulho.
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