Aquieta-te, Raposa, aquieta
este espírito faceiro que mora dentro deste teu corpo. És pequena, Raposa, és
fraca e não defende-te de nada, apenas esconde-te das coisas, acovarda-te a
cada passo.
Cala-te, Leão, cala-te. És
grande, és forte, mas não destrói-me a astúcia, não destrói-me a elevação e a
superioridade. Sou mesmo pequena, mas não conhece-me a mim neste meu mundo
etéreo, vês meu corpo, Leão, vês que facilmente me dilacera a garganta, que sou
presa fácil, mas és tu, Leão, que vives preso neste corpo imenso. Tu és
prisioneiro de ti mesmo.
Cala-te a ti, Raposa, que
não falas coisa com coisa, que andas a divagar por aí dentro destes teus
planos, dentro desta tua loucura, destes olhos diáfanos de bruxa. Cala esta tua
língua ferina antes que eu rasgue tua garganta.
Pois rasga-me, Leão,
precisas provar que tens força? Tu és limitado
à matéria, és concebido em ignorância, és fraco em oratória, acovarda-te
tu a me enfrentar com palavras. Sabes que sou concebida de sapiência, que não
há mácula nestes meus argumentos e não refutas-me. Pois, desce-me sobre a
fronte a pata esquerda, Leão.
Descer-te-ei a pata
direita, que pesa mais que teu corpo inteiro, Raposa.
E ainda dizes que acovardo-me?
Não me escondo, desce-me as patas e mata a astúcia. Junta-te a mim, Leão.
Completamo-nos. Mata-me e morres engasgado com tua própria ignorância. Mata-me
o corpo que me libertas do físico, da limitação desta terra.
Não há outro senão o físico,
Raposa, és sonhadora, és esculpida em devaneios. Tu sabes que não há, sabes que
protejo e que mato, mas não é necessário. Conta-me, Raposa, tudo o que sabes.
Continuarás a matar e a
ter sede de sangue, Leão, pois é de tua natureza que o sintas, mas controlarás a
ti.
Tenho desconhecimento
desta tua ciência, Raposa. Se me enganas ceifo-te a vida e bebo-te o sangue.
Pois bebe-me, Leão, afoga
tua alma seca em mim, mata esta sede que seca teus olhos. Afia tuas garras e
expõe estes punhais que chamas de dentes.
Ouves o que digo, Raposa,
aquieta-te, aquieta-te e guarda esta língua antes que morras de verdade.
Não tenho medo, Leão,
não conheci o medo e nunca topei com ele durante minha jornada.
Escuta-me, Raposa, não te
faças de arrogante.
Cala esta tua boca
grande, Leão, não sabes de nada.
Aquieta-te, Raposa,
aquieta-te.
Belo texto :)
ResponderExcluirObrigada :3
ResponderExcluirLindo texto, moça.
ResponderExcluirAdorei! ♥'