Ninguém entende direito
esse jeito todo torto de amarmos e vivermos intensamente, nos consumindo com
essa droga que se chama vida, ardendo com o peito em fogo, falando alto,
batendo os pés e roendo as unhas, soltando um ou dois palavrões de vez em quando,
chorando por sentir falta de alguém ou simplesmente por sentir, deixando a
emoção sobrepor a razão. Mas somos meio sujos, me desculpe, mas de vez em
quando parece que há algum tipo de deus sádico que deixa o mal viver, que o
deixa habitar em nós. Nós brigamos, gritamos, discutimos e no fim sempre
acabamos cuidando uns dos outros, rimos e choramos juntos, temos algo tão
intenso e tão puro. Mais uma tragada para aliviar a dor, uma lanterna para
dissipar o medo do escuro, um abraço apertado para afastar a solidão. E no fim, estamos todos sozinhos com nossas
memórias.
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